É impressionante como o exame de ordem traz gastos aos participantes.
Por ser obrigatório, qualquer pessoa que vá prestá-lo acaba gastando 131 reais de inscrição mais cerca de 20 reais com autenticação de documentos e envio de AR.
Se optar por fazer cursinho preparatório os valores variam de 250 a 600 reais por mês de acordo com o cursinho que for fazer e a duração do mesmo. No meu caso 590 reais por 3 meses, totalizando 1770 reais só em cursinho preparatório.
Se o candidato passar pela primeira fase, na segunda novamente vem a escolha de fazer cursinho ou não. Novamente os valores variam entre uns 300 e 600 reais. Só que desta vez, como o candidato pode se valer da utilização de materiais para consulta, novamente os gastos se acumulam.
Comprando o material básico, qual seja, um livro de legislação, um livro de direito processual e um livro de direito material, além do livro de prática, chegamos ao montante de uns 250 reais, dependendo dos livros utilizados.
Sai o resultado, você passou! Parabéns!
Se ainda não passou, poderá fazer recurso, ou então pagará para alguém fazê-lo.
Terminado todo esse processo você para poder trabalhar gastou apenas uns R$ 2700.
Agora pronto, pode tentar arranjar um emprego.
Se não passou, boa sorte o exame tem 3 vezes por ano e caso tu resolva repetir todo esse processo, o máximo que poderá economizar é na aquisição dos livros e no envio dos documentos, girando em torno dos 270 reais.
Se sou contra o exame de ordem? Não. Apenas acho equivocada a forma como ele é feito, uma vez que as provas são de exigência de concurso público ou em vezes até superior, para que tu possa apenas tar desempenhando tua profissão, se tu conseguir emprego, caso não tenha condições de montar um escritório.
Os altos índices de reprovação nem sempre refletem o baixo nível de algumas instituições de ensino que a própria OAB não restringiu na hora de liberar a abertura dos cursos.
Você é selecionado para entrar na faculdade, depois selecionado para poder trabalhar e depois de tudo isso ainda é selecionado pelo mercado!
O único alento que resta é pensar que se tu fores aprovado em algum concurso posteriormente, mesmo tendo gastando mais uma quantia considerável na preparação, é que tu poderá perceber importâncias mensais em quantias que ultrapassem os 10, 15 mil reais!
Ninguém mandou ser feio ou não saber jogar futebol!
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Não vou concordar contigo em tudo. O fato de ser uma prova para “apenas permitir o desempenho da profissão” é das coisas mais graves. Enquanto somos “obrigados” a sermos julgados por juízes, ou termos em nossos processos promotores que o MP destina, a advocacia tem algo muito grave: ela permite que o cliente escolha o seu procurador. Se não houver um controle muito rígido, ocorre o que é comum, nos dias de hoje, advogados maus-caráteres e despreparados, entrando com ações irresponsáveis, com altíssima chance de improcedência, apenas para tirar meia dúzia de reais de um miserável desesperado.
Sou contra a forma como é feita a prova, mas acho que deveria ser tão ou mais rigorosa do que é hoje, isso porque é comum no meio pessoas que não passam em outros concursos, e querem fazer “bico”, ganhar a vida, com a advocacia, atrapalhando o trabalho sério dos outros.
A questão financeira, acho que a única coisa que podes criticar é o valor da inscrição. Pressupõe-se que a pessoa tenha, ou tenha como conseguir emprestados, livros para a segunda-fase, e o cursinho, convenhamos, ainda que ajude muito, não é fundamental.
Penso que com relação à prova, especificamente, deveriam ser questões mais voltadas à advocacia, e uma vez aprovado na primeira fase, o candidato poderia entrar no exame seguinte já direto na segunda.
Um abraço,