Das coisas que me levam a voltar

20abr09

Das diversas coisas que me fazem querer voltar a Santa Maria no fim do meu cursinho, uma delas se evidenciou agora pouco, cerca de 1 hora atrás.

Como sempre, eu deixava o prédio do IDC, que fica à uma quadra da Avenida Ipiranga, uma das mais movimentadas de POA, como todos sabem, porém fica num bairro não tão nobre, o Bairro Santana, quando uma movimentação fora do comum aconteceu.

Estava chegando na rua quando vi que algumas pessoas passavam correndo pela frente do cursinho, para os dois lados. Procurei ver o que acontecia pois naquele momento era difícil conseguir fazer alguém parar para perguntar.

Eis que de repente começo a ouvir tiros, vários tiros. Neste momento, saí correndo pra dentro do cursinho, procurando abrigo. Subi até o terceiro andar onde tinha uma janela onde poderia acompanhar a movimentação da rua.

Chegando lá, vi que havia uma aglomeração de pessoas na frente de um prédio. Imaginei que haviam atingido alguém. Porém, novamente ouvi tiros, e quando vejo, está vindo um rapaz, correndo de forma desesperada com uma arma na mão, pela rua transversal à do meu curso.

Ele tentou entrar no cursinho, mas como o portão estava fechado saiu em direção à uma oficina mecânica e roubou um carro que estava estacionado na frente, saindo em disparada.

Neste momento, saíram 2 alunos do cursinho em um carro, que mais tarde fui saber que eram agentes da polícia, perseguindo o meliante que estava fugindo.

A movimentação se abrandou, e eu desci para tentar colher mais informações e saber ao certo o que havia ocorrido. Descobri que três rapazes tinham assaltado uma casa lotérica que fique cerca de 50m do IDC.

Após o assalto, os bandidos sairam correndo, porém não contavam que naquela mesma hora, saiam do idc cerca de 400 alunos, sendo que uma grande parte deles eram agentes da polícia e alguns até delegados.

Foi aí que descobri que um destes que fugiu em direção ao cursinho foi interceptado por um professor do IDC, que é delegado e baleou o rapaz, para evitar que o mesmo fugisse. Consegui ver o cara baleado no chão, sangrando e recebendo vários pontapés do dono da lotérica.

Os outros policiais que ali se encontravam foram atrás dos outros dois, tendo conseguido balear mais um e capturá-lo. O outro como já tinha informado, a princípio escapou de carro. Não sei se até este momento ele já não foi devidamente capturado.

Foi bom ver que a polícia não hesitou em qualquer momento de tomar qualquer atitude. Isso nos mostra que a policia é eficaz sim, quando ela tem meios para fazê-lo. O que mais me preocupa, em relação à chamada “impunidade” como diz a mídia, é com o que é feito com estes marginais após eles serem capturados, quando não são devidamente processados e condenados pelos delitos que cometeram.

Presenciar a violência as 11:30 da manha de uma segunda-feira é algo que causa revolta. Me faz querer ficar longe da possibilidade de correr estes tipos de risco.

Como eu sempre comento com meus amigos, que bom que pelo menos por enquanto Santa Maria está de certa parte livre deste tipo de violência gratuita.

Agora, para refletir: estarei eu e as pessoas que estavam ali na frente do cursinho erradas, ou vocês também sentiram uma espécie de despontamento pelos tiros disparados pelos policiais não terem causado a morte dos dois que atiravam aleatoriamente na direção de cerca de 400 pessoas que ali estavam sem ter qualquer envolvimento com aquela situação?

Conversando com o professor que é delegado, ele contou que atirou nas pernas, uma vez que esses tiros iriam em direção ao chão, caso não obtivesse êxito. Já se atirasse em diração à cabeça do criminoso, em caso de erro, a probabilidade de acertar alguém inocente aumentaria consideravelmente.

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2 Responses to “Das coisas que me levam a voltar”

  1. Medo!
    Muito medo!
    Ainda que eu também fique confortado com a atuação da polícia, minha maior revolta é com o descaso do estado com todos os indicativos mínimos de uma vida razoável, salubre, digna.
    Não consigo ver legitimidade na punição de um miserável que MESMO QUE TENHA ASSALTADO UMA LOTÉRICA A MAO ARMADA (crime gravíssimo) seja excluído e oprimido por essa Sociedade, desde que nasceu. E que quando for jogado no Presídio Central, somente voltará de lá pior.
    A questão é muito mais sociológica do que penal.
    O problema é que nossos governantes não querem enfrentar a questão em seu âmbito macro, mas sim apenas localizado, diminuindo direitos, diminuindo garantias, aumentando o autoritarismo, e FINGINDO que tudo vai melhorar.

  2. Quando ouvimos falar sobre a violência, temos a impressão que ela existe, mas ao mesmo tempo descartamos a possibilidade de estar dentro dela. É automático essa autodefesa, porque se não, ficaríamos presos dentro de casa, como muitos que já decidiram fazer isso. Numa situação como essa que vc falou, no qual fiquei de cara, diga-se de passagem, ficamos com a sensação de impotência fudida. Só nos restando querer voltar para onde saímos. Mesmo que tenha tanta violência quanto, mas tiros e perseguições torna o buraco muito mais embaixo


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